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O carrinho mudou: o que a queda em snack, biscoito e chocolate pede da sua embalagem

22 de set.
4 min de leitura
Gôndolas de supermercado cheias de produtos embalados, vistas de cima

Tem um dado circulando no varejo alimentar que merece a atenção de quem embala comida. Um estudo da Scanntech Brasil, repercutido pela CNN Brasil em 30 de agosto de 2026, estima que o avanço dos medicamentos à base de GLP-1 — as canetas emagrecedoras — pode reduzir em 0,49% ao ano o volume total de alimentos vendidos em supermercados brasileiros.

Meio ponto percentual soa pequeno. O problema é que ele não se espalha por igual. Entre as categorias mais afetadas estão justamente as que vivem de embalagem flexível: petiscos e snacks (-0,82%), chocolate (-0,72%), biscoitos (-0,63%), goma de mascar (-0,55%) e balas e pirulitos (-0,51%). No agregado, bebidas recuam 0,91% e perecíveis embalados, 0,66%.

A explicação para essa concentração está no perfil de quem usa o medicamento. Segundo a Scanntech, o usuário de GLP-1 era, antes do tratamento, um consumidor acima da média nessas mesmas categorias de indulgência. Quando ele reduz o consumo, o efeito não se dilui: aparece direto no giro de quem fabrica snack, biscoito e chocolate.

O outro lado da mesma gôndola

O estudo também mostra para onde essa demanda migra. Alimentos frescos aparecem com alta de 11,5%, itens de academia e bem-estar com 9,6%, suplementos proteicos com 9,1%, água com e sem gás com 7,9% e vitaminas com 7,4%. Não é um consumidor que compra menos: é um consumidor que compra outra coisa.

Há um segundo caminho que chega à mesma conclusão. O Estudo ABRE Macroeconômico da Embalagem, feito com o FGV IBRE e divulgado em 31 de agosto, aponta que a produção de alimentos recuou 1,5% no primeiro semestre de 2026, enquanto bebidas avançaram 3,9%. O mesmo estudo cita os GLP-1 entre os fatores que alteram a demanda por categorias de consumo e, por consequência, por soluções de embalagem. A produção de embalagens cresceu 2,4% no segundo trimestre, mas a projeção para o ano é de apenas 0,2%.

Traduzindo: o bolo não vai crescer muito em 2026. Quem ganhar volume vai ganhar de alguém.

Onde a embalagem entra nessa conversa

Esse não é um assunto de farmácia. É um assunto de desenvolvimento de produto, e a embalagem responde em três frentes concretas.

Tamanho da porção. Consumidor que come menos por vez não quer o pacote de 200 gramas que fica aberto na despensa. Formatos menores, monodose e multipack de porções individuais deixam de ser nicho e passam a ser linha principal em várias categorias. É a resposta mais direta a uma queda de volume por consumidor: manter a frequência de compra mesmo com menos produto por unidade.

Resselagem de verdade. Quando o consumo fica fracionado, o pacote é aberto e fechado várias vezes. Zíper, adesivo resselável e solda que aguenta reabertura deixam de ser refinamento e passam a ser condição para o produto chegar ao fim com a mesma qualidade — e para o consumidor não desistir da marca depois da primeira experiência ruim.

Hierarquia de informação. Quem mudou a alimentação lê rótulo. Proteína por porção, ingredientes, tamanho da porção: essas informações precisam estar legíveis na frente do pacote, dentro das regras de rotulagem, competindo com o resto da gôndola em dois segundos de olhada. Arte não é enfeite nessa disputa — é o que faz o produto ser considerado.

A conta que muda quando a gramatura cai

Reduzir o tamanho da porção parece simples até você abrir a planilha. Menos gramas por pacote significa mais embalagens para a mesma tonelada de produto, mais área de filme por quilo vendido e mais paradas de troca na envasadora. A relação entre área da embalagem e volume de produto aumenta, o que pressiona a exigência de barreira: o mesmo alimento, em pacote menor, tem proporcionalmente mais superfície por onde oxigênio e umidade podem entrar.

Nada disso é impedimento. É projeto. Dá para compensar com estrutura mais eficiente, ajuste de espessura, escolha de barreira adequada ao prazo de validade real do produto e formato que rode bem na máquina que o cliente já tem. O erro caro é decidir a porção menor no marketing e descobrir o custo depois, quando o filme já foi comprado e a linha já está parando mais do que deveria.

O que fazer com isso agora

Se você fabrica snack, biscoito, chocolate, farináceo ou qualquer produto de indulgência, vale olhar três coisas antes do próximo pedido de embalagem: quais SKUs perderam giro no último ano, se existe um formato menor plausível para eles e o que a sua embalagem atual comunica sobre o produto em três segundos de gôndola.

A mudança de comportamento do consumidor brasileiro está documentada e não parece ser passageira — a própria Scanntech aponta que parte dos hábitos adquiridos durante o tratamento permanece depois dele. A embalagem é uma das alavancas mais rápidas que a indústria de alimentos tem para responder a isso: muda sem obra, sem nova fábrica e em ciclo de semanas, não de anos.

A Centpak desenvolve estrutura, formato e arte de embalagens flexíveis para alimentos há quase duas décadas, junto com o cliente e com a realidade da linha dele. Se a sua categoria está sentindo essa mudança, a conversa começa pelo pacote.

Fale com a Centpak.

Fontes: Scanntech Brasil, via CNN Brasil (30/08/2026); SuperVarejo (25/06/2026); Estudo ABRE Macroeconômico da Embalagem e Cadeia de Consumo no Brasil, ABRE/FGV IBRE (31/08/2026). Foto: freestocks.org / Pexels.

 
 

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