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Os 20% ficaram de pé: o que a decisão da Camex muda no custo da sua embalagem

14 de set.
3 min de leitura
Envase de café em linha industrial

Em 27 de agosto, o Gecex — o comitê executivo da Camex — renovou por mais doze meses a alíquota de 20% do imposto de importação sobre seis tipos de resinas de polietileno e polipropileno. O pleito havia sido apresentado pela Abiquim e endossado pela Braskem, que argumentou existir sobreoferta global, expansão de capacidade na China e redirecionamento de exportações para mercados mais abertos, como o Brasil. Do outro lado do balcão, a Abiplast se manifestou contra: para a associação dos transformadores, a medida foi implementada em 2024, já foi prorrogada sucessivamente e pode passar de 36 meses sem comprovação de necessidade — encarecendo, na ponta, produtos que dependem de plástico, entre eles alimentos.

Para quem embala café, molho, snack, biscoito ou farináceo, a leitura prática é curta: a matéria-prima do seu filme não vai ficar mais barata por decisão de governo nos próximos doze meses.

Por que essa não foi uma decisão qualquer

A renovação veio três dias depois de a Braskem protocolar um pedido de recuperação extrajudicial, reconhecendo dívida de US$ 10,9 bilhões. Não é detalhe de rodapé. Sinaliza que a proteção tarifária segue sendo tratada como instrumento de sobrevivência da petroquímica nacional, e não como algo que se afrouxa ao primeiro sinal de pressão dos transformadores.

Traduzindo para a sua planilha: não vale montar orçamento de 2027 apostando na queda da alíquota.

O que os números do setor já mostram

Os dados do primeiro semestre de 2026, levantados pela MaxiQuim para a ABIEF, desenham a cena com uma precisão desconfortável: o consumo de embalagens plásticas flexíveis chegou a 1,164 milhão de toneladas, alta de 2,6% sobre o mesmo período de 2025; a produção nacional ficou em 1,140 milhão de toneladas, queda de 0,7%; e a importação de filmes e embalagens flexíveis somou 69 mil toneladas, alta de 33,4%.

Vale reler a sequência. A demanda brasileira cresceu. A produção nacional recuou. E a diferença foi ocupada por embalagem vinda de fora. É o retrato de uma cadeia em que o custo do insumo subiu mais rápido do que a capacidade do convertedor de repassar — e em que o produto acabado importado, esse sim, entra sem encontrar a mesma barreira que a resina.

O que dá para fazer enquanto a tarifa não muda

Esperar o preço da resina cair é uma estratégia. O problema é que ela não depende de você. A parte que depende é outra, e costuma ser subestimada: o custo por embalagem não é só o preço do quilo de resina. É o preço do quilo multiplicado pelo quanto a sua estrutura realmente consome. Quatro frentes rendem mais do que parece.

Revisão de estrutura. Boa parte das embalagens em operação hoje foi especificada anos atrás, para uma máquina que talvez nem esteja mais na fábrica ou para uma validade que já foi ajustada desde então. Laminação de três camadas onde duas resolvem, barreira dimensionada para um produto mais sensível do que o atual, selagem superespecificada — tudo isso é material pago e não aproveitado.

Gramatura e espessura. Reduzir micragem sem perder desempenho é trabalho técnico, não corte de planilha. Feito com teste de selagem, de resistência mecânica e de comportamento na máquina, é onde mora a economia mais direta por quilo.

Rendimento de bobina. Largura mal aproveitada, refile maior do que o necessário e repetição de cilindro mal casada com o formato do sachê viram perda fixa em toda tiragem. É recorrente e quase sempre invisível no custo unitário.

Perda de setup. Cada troca de bobina, cada acerto de registro e cada partida de máquina consome filme que ninguém fatura. Estrutura estável e bobina bem preparada reduzem esse desperdício dentro da linha de envase — que é onde ele dói.

O ponto

A decisão da Camex tirou do horizonte uma das poucas variáveis de custo que poderiam melhorar sozinhas. O que sobra é o que sempre esteve ali: especificar melhor, testar antes e tratar a embalagem como item de engenharia, não como commodity que se compra pelo menor preço do quilo.

Se faz sentido revisar a estrutura das suas embalagens antes de fechar a programação do último trimestre, essa é uma conversa técnica — e a gente gosta dela.

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Fontes

MDIC / Camex — "Gecex delibera sobre alterações tarifárias e defesa comercial", 27/08/2026. Folhapress / O Tempo — "Governo atende Braskem e renova alíquota de importação de resinas de plástico", 28/08/2026. ABIEF / MaxiQuim, via Blog do Plástico e EmbalagemMarca — dados do 1º semestre de 2026, 17/08/2026. Foto: Masud Allahverdizade / Pexels.

 
 

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